sexta-feira, 15 de julho de 2016

Um rio na sala de estar


Pintura de Piet Mondrian - 1911


No Egito há um rio escuro
Em Goiás há um rio turvo
No inferno há um rio cinzento
E no céu
Há uma tinta azul
Que faz rio emoldurado
Na tela de sua sala.

A tinta azul esparramada
Recebe outra verdíssima
Recebe o branco da espuma
E um muro
Em tons de rosa e de sangue
Pincelado sobre a água.

Eu tenho aqui outra tinta
Presa do lado de fora
Também fria, porém arde e
Com ela
Vou sombrear uma porta
De entrada no cor-de-rosa.

De lá saltarei no azul
Separado por um fio
Onde quer ser céu e onde quer

Ser rio.


*Poesia publicada no blog Psicose da Nina, em 17/01/2016



4 comentários:

  1. Eu fiquei na sala imaginando esses tons de rios... querendo ser céu... Poema para reler inúmeras vezes, pois sempre haverá um novo contexto!
    Abraço.

    ResponderExcluir
  2. Querida Regina
    Apetece dizer que os seus poemas são cheios de poesia... :)
    É um disparate, eu sei, mas que outra forma há para dizer que eles me inspiram, sempre, uma enorme ternura?
    Essa mistura de cores para formar um rio que, no fundo, é apenas e tão só um rio de Amor, é excelente!
    Eu quero navegar nesse rio, ou, pelo menos, sentar nas suas margens e repousar...
    Parabéns, minha querida, a sua poesia reconforta-me(só tenho pena que seja tão escassa...).

    Continuação de boa semana.
    Beijinhos
    MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

    ResponderExcluir
  3. Lindo, Rê. Estava com saudade das suas lindas palavras! <3
    Sempre me sinto mais leve e colorida quando passo no seu blog!
    beijos

    ResponderExcluir
  4. Então, minha amiga, quando é que há novidades???
    s seus poemas são tão bons que é uma pena não nos presentear mais vezes...
    Obrigada pelo seu carinho na minha "CASA".

    Votos de uma semana muito feliz.
    Beijinhos
    MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

    ResponderExcluir