sexta-feira, 2 de outubro de 2015

M'olham


Pintura de Shelby McQuilkin

Mergulho as mãos em letras frias
Tiro-as da solidão
Ao fazermo-nos palavras
E as olhas
E m’olhas

Mas a sede não acaba
— Pudera! — alguém diria
— Só puseste as mãos à beira
Não... te enganas
Caí inteira

Culpa a língua (essa danada!)
Que é quem me limita.
Vou com os versos quebrantados
Que falam
E falham

Sinestésicos chegamos
Qual rio na terra
Esparrama-se em (a)braços
Faltosos
Que m’olham