terça-feira, 11 de agosto de 2015

Antes do anoitecer


Imagem do fotógrafo russo Misha Gordin, via blog Meia Seis


 Rompi-me a vida uma vez

Para nunca ma(i)s, voltei.

Rompi-a eu de novo

Em ondas de mar revolto

E ainda outras vezes mais.

Refrega inevitável

Face a face comigo

Debaixo da mesma luz

Compondo a mesma sombra -

Pássaro pincelado

Em quadros separados

Qual versos de poesia

Em apelo constante

De rompimento e abraço.

Adeus!

Golpeiam-se-me as asas,

Vou partir-me em funeral

Antes do anoitecer.

Aeronauta que sou

Contemplarei a terra

Sobre mim e lançarei

Os dados mais uma vez.




9 comentários:

  1. Show, Regina! Poema dramático, misterioso e muito bem escrito. Lembra as crises de autoaperfeiçoamento pelas quais se passa ao optar por rumos novos. Parabéns pelo poema e pela escolha da foto! Por favor, continue me avisando quando tiver novidade. Beijos!

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  2. Um dos mais contundentes romper-se, sem dúvida alguma, é o mental! Poeta e aeronauta sobrevivem em versos, mesmo com suas asas quebradas! Majestoso poema que fica como mediador de nossa contemplação interior!
    Abraço.

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  3. "Qual versos de poesia / Em apelo constante / De rompimento e abraço". Amanheceu e abriu-se o sol em mais uma linda poesia. Parabéns!

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  4. Uau Rê! Que obscuro e denso. Achei lindo esse poema e senti vontade de ler duas vezes. Parabéns, realmente o adorei!

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  5. Parabéns pelo texto, muito reflexivo e impactante.

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  6. Parabéns pelo texto, muito reflexivo e impactante.

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  7. Parabéns pelo texto, muito reflexivo e impactante.

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  8. Encontro-me de férias na Escócia, de momento em Thurso, a dois passos do Mar do Norte, onde o acesso à Net (e à civilização dum modo geral  ) é bastante difícil.
    Quando regressar a Bagno a Ripoli, o que deverá ser em finais de Setembro, visitarei todos os blogs amigos.
    Até lá desejo-te tudo de bom e dias muito felizes.
    Um beijo
    MIGUEL / ÉS A MINHA DEUSA

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  9. Gostei muito do poema.
    Acho a poesia uma das artes mais complexas,
    Beijos
    Gabi - Hopeless

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