domingo, 10 de maio de 2015

Feito asas




O voo das borboletas - Paul Klee



Neste dia eu queria
Dar-lhe, mamãe, umas flores
Pequenas e delicadas.
Chegando aqui, já não estavas.
Quis dar-lhe palavras e quis
Que nada me impedisse.
Joguei-as ao alto e foram
Feito folhas no outono,
Mas as quero feito asas.
Não as da nave que me trouxe
Após a tua partida,
Mas asas
Que pulsassem, confirmassem:
“Ela ouviu, sorriu e disse...”
- Disse o quê? O que ela disse?
“Que andas muito sisuda,
Que deves sair pra brincar,
Que até a angústia mais aguda
Tem sua hora de acabar”.



5 comentários:

  1. As asas herdadas de nossas mães sempre nos levam a fantasiosas recordações de um tempo do "brincar"! Linda essa nossa criança... embalada em nossos sonhos!
    Abraço, Regina.

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  2. Conselho de mãe, a gente segue, Regina. Esse poema saiu tão bonito que só pode ter sido inspirado por sua mãe. Obedeça, menina! Beijos e parabéns!

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  3. Que poema lindo Rê... Me fez pensar não só na minha mãe, mas me recordou vários momentos da infância!

    Obrigada por encher meu dia com essas palavras lindas!

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  4. Aposto que vc escreveu para a sua mamis!!!! Lindo poema Rê! Beijos

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  5. Ah, Regina,
    Como gostaríamos nós, de ter dessas asas que confirmassem o que gostaríamos de saber de quem partiu em viagem...
    Mas, com certeza, dentre o que nos diriam, constaria que a "angústia tem sua hora de acabar" ;)

    bjn amg

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