quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Caleidoscópio


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Foi à cabeça, o coração
Com espelhos coloridos
— Alto lá! Nada de tirar
Minhas coisas do lugar —  mas
Já é tarde, o dia declina e
Vencida, ela arrasta o trinco
Da porta que a prendia.

— Quero este azul com tecido
E o amarelo com vestígios
De sol, pra que não te escondas.
Quero verdes em tons vários
Pra que eu pouse e me recolha
Para ouvir o invisível
No movimento das folhas.

— Dá-me também este vermelho
Que nele eu o sinto pulsando
Dele eu preciso pra vida
Sinto-me recomeçando.
E naquele outro, o que há? —
Vê-se um marcador do tempo
Com a hora da partida.

— Que vidraça desbotada!
Por que a trazes? É tão dura.
Não quero esta. Obrigada.