terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Davi



Imagem: biografia.inf.br


Tirando pedra da pedra
O artista arrancou
A que sobejava.
Lapidou o corpo
Que o inquietava.

À pedra ele se entregava
E ela lhe revelou
O homem que em si trazia,
Deslumbrando-o
Com o que ele já conhecia.

Sublimando a sua pedra
Deu a ela quase o sangue
E olhos fundos de mar-
-morre a pedra, nasce
A arte, o mitigar.

Misturando-se à sua pedra
Grandes mãos ele moldou
− Desproporção calculada −
Deixando outra pedra,
Na pedra da mão, guardada

Tentava imitar a obra
Do primeiro criador,
Que ao pequeno pastor
Deu as mãos
Para a guerra e o louvor
Para a lira e a peleja
Para a pedra que o sagrou
Menino-Rei.