sexta-feira, 1 de junho de 2012

Outro lugar


Vento frio soprando nas ruas e uma senhora corcunda, de longos cabelos grisalhos, aproximou-se de uma porta e bateu. A porta ficava no alto de um degrau e dela apareceu-lhe um homem alinhado e calado.

Ambos ficaram se olhando e ninguém nada dizia.

Ela começou a espiar entre o corpo dele e o vão da porta, curiosa por saber se era aquele o lugar que procurava. O jeito diferente provocou também a curiosidade dele.

_ O que quer? _ perguntou.

Ela continuou calada e nenhum gesto manifestou pela provocação. Esticou ainda mais o pescoço, a procurar saber...

_Com quem quer falar? _ ele insistiu em tom mais alto e ela se assustou. Olhou para os olhos dele e abaixou a cabeça. Olhou de novo: “não”, pensou. Não era ele a pessoa, embora até pudesse ser aquele o lugar. Virou as costas lentamente e seguiu pela rua seca e cinza, deserta, apoiando-se em sua bengala.

Mais adiante, olhou para trás e viu a portinha já fechada. Reconheceu: não era aquele também o lugar.